Conversa com a Biblioterapeuta Katty Anne Nunes

23 setembro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários



Da contação de histórias à Biblioterapia, a bibliotecária amazonense Katty Anne Nunes tem transformado vidas por meio da leitura. E hoje, ela é a nossa convidada especial.


Confira abaixo a entrevista exclusiva cedida ao Ateliê da Biblioterapia.


Para começar a nossa conversa, o que a Biblioterapia representa pra você?

A biblioterapia já existia em minha vida há muito tempo, só não sabia que a prática tinha nome.  
Para mim, ela representa um processo que une duas coisas que amo: pessoas e livros, a conexão entre esses dois elementos pode ser transformadora (isso me encanta), é uma prática poderosa.



Como você se tornou aplicadora de Biblioterapia?

Sou bibliotecária de formação e tenho paixão por mediação de leitura/contação de histórias, atuei durante cinco anos com biblioteca escolar, depois desse período fui para uma biblioteca da área de saúde, onde a temática é mais técnica, mesmo assim as histórias não saíram de mim e eu fui buscar uma forma de trazê-las para essa nova tipologia de biblioteca, fui pesquisando e li muitos artigos que trabalhavam a leitura como uma prática de promoção da saúde mental, e um belo dia conheci o trabalho da Cristiana Seixas, pensei: Uauuu, é isso! 
Contactei a Cristiana, adquiri o livro e devoreiiiii (estou na expectativa para fazer a vivência do curso), fiz formações na área de desenvolvimento pessoal e comportamento humano e cursos de biblioterapia online, li muitos livros da temática e troquei muitas, mais muitas ideias mesmo com pessoas que já trabalhavam com a técnica e recebi muitas orientações - gratidão Tatiana Montenegro, Inez  Garcia e Christiana Bueno -. Depois criei coragem e comecei a aplicar e validar esse trabalho.  

E como é a sua atuação com a Biblioterapia? Como são realizadas as práticas de Biblioterapia?

Atualmente, trabalho com três públicos bem definidos: jovens de ensino médio de escolas públicas de Manaus, mulheres e alunos de pós graduação, e em outubro terei meu primeiro momento com um público geral. 
Com os jovens é um projeto voluntário, onde percebi o quanto a biblioterapia pode ser uma poderosa ferramenta em sala de aula.
Com os outros públicos está acontecendo de forma "encomendada", as pessoas me contactam e ajustamos os detalhes do momento de biblioterapia. 


Quais são os seus projetos atuais?

Atualmente, ministro palestras e cursos na área de desenvolvimento pessoal (levo a biblioterapia para muitos deles) e de mediação de leitura.
Realizo os encontros de biblioterapia com esses públicos já definidos (mulheres e alunos de pós graduação).
E em outubro tenho o primeiro encontro para o público em geral. 


E você se lembra de algum caso interessante ou história com a Biblioterapia que te marcou?

Sim, um bem recente foi em um momento com os alunos, onde trabalhamos a temática felicidade x infelicidade, e um deles posteriormente veio compartilhar que pensava em cometer suicídio, mas depois de dos textos e do que foi compartilhado ele percebeu que tinha muitos motivos para ser feliz. 


Quais são os seus próximos projetos? O que a gente pode esperar para o final de 2019 ou início de 2020? Quais serão as novidades? 

Bom, para esses meses de 2019 pretendo começar os encontros de biblioterapia para o público "em geral" 
Tive que adiar um curso de Mediação de  leitura que aconteceria em setembro, provavelmente acontecerá em novembro.
Também realizarei esses momentos de biblioterapia em uma parceria com a Biblioteca Pública do Estado do Amazonas e o Centro Acadêmico de Biblioteconomia da UFAM e farei muitas mediações de leitura em outubro, nas semanas do livro e da biblioteca ❤️.   


E para quem quiser conhecer o seu trabalho, como pode te encontrar (site, redes sociais, cursos, etc...)?

Atualmente podem me acompanhar no instagram @kattyannenunes e no site (que está passando por alguns ajustes) http://kattynunes.com.br/


Para encerrar, você poderia indicar uma leitura especial para os nossos amigos do Ateliê da Biblioterapia?

Essa parte de indicar livros sempre me pega de surpresa, tenho vários preferidos, mas vou indicar um que li recentemente, o "Extraordinário", escrito por R.J Palacio. Um livro leve, tranquilo de ler, mas que nos traz várias temáticas para reflexão.


(Fonte das imagens: arquivo pessoal de Katty Anne Nunes).

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Sessão de Biblioterapia: "Meus Oito Anos" de Casimiro de Abreu

18 setembro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários


Meus Oito Anos

Casimiro de Abreu

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Publicado originalmente em 1859.

ABREU, Casimiro de. As primaveras. São Paulo: Martin Claret, 2014.

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Leitura com crianças: 8 dicas para o seu filho ler mais!

10 setembro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários



Você gostaria que o seu filho lesse mais? Ou não sabe por onde começar a incentivá-lo a ler?

Essa é uma questão muito comum entre pais, educadores e cuidadores de crianças. Então, confira oito dicas para estimular o hábito da leitura com crianças.





Dica 1: Entender a importância da leitura. 

Nesse caso, não encare como aquela obrigação acadêmica de leitura e interpretação de texto (como na escola), perceba esse momento de vivência afetiva. A Biblioterapia em família estreita os vínculos de amor, carinho e cuidado entre pais e filhos e entre cuidadores e crianças.

Dica 2: Criar uma rotina. 

Sei que atualmente as pessoas possuem diferentes atividades ao longo do dia e, por isso, os horários podem ficar um pouco apertados. Mas, é preciso criar momentos de leitura compartilhada com a criança. Mesmo que seja três vezes por semana ou todo dia antes de dormir: com a rotina estabelecida, a criança já saberá que aquele momento é para vocês lerem juntos.

Dica 3: Escolher os livros. 

Converse com a criança e escolham os livros juntos. A criança mostrará quais os livros que ela deseja ler e você também poderá apresentar livros diferentes que a desafiem nesse processo de leitura.

Dica 4: Criar um ambiente agradável.

Para que a leitura seja divertida e encantadora, tanto você como a criança precisam estar à vontade, em um ambiente confortável. Pode ser na sala, no jardim, em uma "cabaninha" ou castelo que vocês podem montar em um momento de brincadeira.



Dica 5: Demonstrar interesse. 

No momento da leitura, converse, pergunte, ouça o que a criança tem a dizer, demonstre real interesse pelas ideias, pelas percepções dela. Você vai se surpreender com essa oportunidade de conhecer melhor o seu filho.

Dica 6: Passeios culturais.

Que tal trocar um pouco os passeios no shopping e realizar atividades recreativas em centros culturais ou quem sabe ouvir uma bela história com contadores de história numa biblioteca ou livraria? Ou então, depois de ver aquele filme no cinema, conversar sobre a história e procurar livros sobre o assunto?

Dica 7: Brincar com as histórias.

Não é apenas ler a história, tente brincar com ela. Vale tudo: fazer teatrinho, usar fantoches, criar dobraduras, inventar músicas, fazer uma roda de leitura com os amiguinhos, pintar a história com tinta guache ou desenhar com lápis de cor ou giz de cera. Você pode guardar os livros em um baú de tesouros e todo dia descobrir um tesouro novo que merece ser lido. Você pode criar brincadeiras de mímicas para a criança tentar adivinhar a história ou título do livro. Use a sua imaginação e utilize os materiais que você tem em casa mesmo. Não precisa ser um artista ou um pedagogo, mas entenda que esse momento lúdico é muito importante para a criação dessa percepção da leitura.

Dica 8: Ler e dar o exemplo. 

A criança precisa entender que a leitura faz parte da vida e se ela vir você lendo com entusiasmo, se tiver contato com livros desde pequena, isso certamente irá gerar interesse pelos livros e pela leitura.


E por fim...

Não espere o fim de semana ou feriado, não espere o dia das crianças para fazer algo legal e divertido com o seu filho, como, por exemplo a leitura compartilhada. A noção do tempo das crianças é diferente da nossa e a infância passa muito rápido. O seu filho vai ser criança por pouco tempo. Então, aproveite. Viva verdadeiramente e intensamente esse momento.

Boas leituras, um fraterno abraço e até mais.
Ana Cláudia Leite

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Sessão de Biblioterapia: "Meditação à beira de um poema" de Adélia Prado

04 setembro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários


Meditação à beira de um poema



Adélia Prado

Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
joias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com o limite do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.


PRADO, Adélia. Oráculos de maio. São Paulo: Record, 2007.

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Citações e curiosidades - Ago/2019

02 setembro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários















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