Conversa com a Biblioterapeuta Inez Garcia

16 outubro Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários


Essa bibliotecária de Florianópolis (SC) tem costurado histórias e bordados memórias, trazendo todo o seu encanto para a arte da Biblioterapia. A nossa convidada especial de hoje é Inez Garcia.

A seguir, confira a sua entrevista exclusiva cedida ao Ateliê da Biblioterapia.




1. Para começar a nossa conversa, o que a Biblioterapia representa pra você?

Com base nos meus estudos, percepções e experiência a Biblioterapia representa POSSIBILIDADE, ABERTURA, e CRIAÇÃO! Ela é um recurso terapêutico imensurável de apoio ao ser humano nos processos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal!


2.Como você se tornou Biblioterapeuta?

A Biblioterapia sempre se fez presente na minha história, me nutrindo, ampliando meu olhar de mundo, mesmo quando desconhecia o seu conceito e sua existência. A leitura sempre foi um lugar que visitei como forma de apoio, sobrevivência e inquietude para tudo que borbulhava dentro do meu ser. No filme "A Livraria", a personagem Christine diz que “quando lemos uma história, nós a habitamos”, e a leitura inúmeras vezes me possibilitou “mudar/fugir de casa”, ao tempo que fazia com que me sentisse parte deste todo gigante que é o mundo e no qual sou única!

Mas foi em 2011, numa conversa com uma grande amiga também chamada Ana Cláudia sobre que tema pesquisar para o Projeto de Mestrado em Ciência da Informação - UFSC, que a Biblioterapia se apresentou pra mim de maneira FORMAL E CONCEITUAL, posso assim dizer. Dessa história toda nasceu a Dissertação de mestrado defendida em 2014 intitulada: A percepção dos discentes de Biblioteconomia da UFSC e UDESC sobre Biblioterapia, que contou com a orientação da Profª. Clarice Fortkamp Caldin, a quem agradeço pela oportunidade e orientação, bem como, com a participação providencial dos discentes entrevistados de Biblioteconomia UFSC/UDESC que expuseram suas percepções durante a entrevista e por meio do Discurso do Sujeito Coletivo deram voz a suas percepções sobre esta ferramenta tão potente que é a Biblioterapia, enfocado ao que confere a Biblioteconomia. Para quem quiser saber mais sobre a dissertação é só acessar o link http://tede.ufsc.br/teses/PCIN0113-D.pdf.

Após o mestrado, mergulhei no que chamo de processo “busca de mim mesma” (autoconhecimento), é… foi necessário me encontrar para saber o que fazer com tanta coisa que aprendi! Pois, assim como os entrevistados da minha pesquisa, mesmo sendo Bibliotecária atuante, não sabia como fazer a
Biblioterapia acontecer, se tornar realidade na minha jornada.

Em 2017 meu corpo deu sinal de que as coisas não iam bem, e tive que me acolher num afastamento das atividades laborais por 4 meses. Foi um período de muita reflexão, de tomadas de decisão, todas muito importantes e significativas, mas uma delas foi primordial e diria que foi um divisor de águas na minha jornada e atuação profissional, quando escolhi fazer o Curso Biblioterapia - bases conceituais, que havia descoberto na época do mestrado, da Cristiana Seixas, a quem tenho admiração, respeito e gratidão!

Fazer o curso e experienciar a Biblioterapia com ela foi pura cura e (re)-significação pra mim!!! A frase “não dê pérolas aos porcos”, a leitura do livro A força da palmeira, reverberam em mim até hoje, e me levam a fazer mudanças profissionais importantes, servem como fontes de inspiração para
minha atuação como Biblioterapeuta! E, como tantas outras leituras que surgiram nos últimos tempos e que me aproximam cada vez mais com o que eu vim fazer nesse mundo, com meu propósito de vida, me fortalecem para realizar ações para que muitos outros seres se beneficiem com a Biblioterapia. Assim, criei o site Biblioterapia Desenvolvimento Humano e venho trilhando essa jornada com a Biblioterapia.



3. E como é a sua atuação com a Biblioterapia? Como são realizadas as práticas de Biblioterapia?

Nos últimos dois anos venho atuando com a Biblioterapia de desenvolvimento humano individual e também em grupo. A modalidade em grupo está mais voltada para mulheres com a Vivência Mulheres que me habitam que teve seu início jul./2018 feita em parceria com a Chris Bueno em São Paulo e depois em Araraquara-SP com a Maria Aparecida Pardini.

Todas as modalidades de Biblioterapia partem de um “tema gerador”, sendo que no atendimento individual e grupo fechado o tema selecionado está alinhado com a demanda do cliente ou grupo de clientes, ou seja que faça sentido com o momento dele.

A partir do tema gerador definido vou selecionando as leituras, de forma que criem um diálogo entre si, comigo, com os participantes e com as demandas que surgem, vou colocando todos para conversar. Faço uma seleção sem julgamentos e para isso me ancoro nas Leis de Ranganathan em
especial a duas delas “Todo leitor tem seu livro” “Todo livro tem seu leitor” e na minha experiência profissional de 15 anos como bibliotecária, sem deixar de respeitar as bases conceituais preconizadas no referencial teórico existente sobre a biblioterapia que orienta o uso de literatura, textos narrativos e literários, proporcionando uma experiência profunda com beleza, leveza e possibilidades de abertura e criação!

No grupo aberto sigo minha intuição e trago os temas assim como as leitura de acordo com as demandas do viver pelas quais eu passo e também daquilo que observo, ouço e percebo das pessoas que estão a minha volta, elas sempre me dizem muito, e logo penso, bom se essa leitura fez sentido pra mim, pode muito bem apoiar outras pessoas.



4.Quais são os seus projetos atuais?

Estou em um momento de estudo, adequações e redesenho das propostas que já realizo com a Biblioterapia e também lançando o curso teórico prático Imersão Biblioterapia como recurso.


5. E você se lembra de algum caso interessante ou história com a Biblioterapia que te marcou?

Todas as histórias que surgiram durante e após as vivências de Biblioterapia foram marcantes. Mas tem uma que aconteceu na primeira vivência com a Biblioterapia que realizei com o Livro Amar e ser Livre: as bases para uma nova sociedade de Sri Prem Baba, juntamente com outros textos literários de Carlos Drummond, Pablo Neruda, Cecília Meirelles e outros autores que retratam o amor, que só reforçou que este seria um caminhar frutífero com a Biblioterapia, bem como, o vislumbre de cooperação com outros profissionais. No final da vivência em grupo, uma participante relatou que aquela experiência a tinha possibilitado trazer a tona aspectos da sua vida que ainda não estavam curados, como ela pensava que estavam, e que ainda a limitavam. E que a partir dessas memórias, e com o apoio das obras que foram sendo resgatadas durante o processo biblioterapêutico ela foi se sentindo tocada por essas diferentes vozes, o que possibilitou (re)significar e dar um lugar amoroso a todos os sentimentos. Destacou ainda que esta experiência complementou o trabalho de acompanhamento que realiza com o psicólogo.


6.Quais são os seus próximos projetos? Quais serão as próximas novidades ?

Como já mencionei anteriormente a Biblioterapia para mim representa possibilidade, abertura e criação, então posso dizer que o momento casa bem com isso! Para 2019, sigo com as propostas que já mencionei. Já para 2020, bom, vou me valer de Rubem Alves “não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.”



7. E para quem quiser conhecer o seu trabalho, como pode te encontrar?

Me seguir no Instagram @biblioterapiadh na bio tem todos os links do site, facebook e contato de whatsapp, caso queiram me contactar.



8. Para encerrar, você poderia indicar uma leitura especial para os nossos amigos do Ateliê da Biblioterapia?

Indico um romance brasileiro que me tocou muito e fez muito sentido pra mim no primeiro semestre deste ano, ancorando e selando processos de terapia e autoconhecimento pelos quais passei. Esta leitura me permitiu olhar, aceitar e ressignificar minha história de vida no que confere a minha ancestralidade feminina. Super indico o livro "A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas" de Maria José Silveira que reconta por meio de narrativas de vida e de uma forma sensível e bem feminina a história do Brasil, desde 1500 até o início do século XXI, apresentando a história de mulheres indomáveis e guerreiras, que enfrentaram todos os fatos e acontecimentos da época, traz um retrato fiel das mulheres brasileiras, que, em todas as suas diferenças podem ser descritas de diversas formas, menos como frágeis e submissas.

Ao Ateliê de Biblioterapia, minha gratidão pela oportunidade e desejo de muito sucesso!


(Fonte das imagens: arquivo pessoal de Inez Garcia).

0 Comentários: