Livros para quem gosta de contos

28 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários


Vamos aproveitar o mês de maio para ler um livro de contos? Selecionei três livros especialmente para você, confira!!!


"Várias Histórias", de Machado de Assis


Sinopse da editora Martin Claret:

"Machado de Assis, além de ser conhecido pelos excelentes romances, é exímio na criação de contos, esses são verdadeiras portas de entrada para o primoroso mundo narrativo do autor. O conto machadiano é uma arte de pormenores, nele o leitor tem contato com a sutileza na escrita, os traços de ironia, a descrição de personagens ímpares, além de um cenário único do Rio de Janeiro do século XIX. Em Várias histórias, particularmente, estão alguns de seus contos mais famosos, como “A cartomante”; “Uns braços”, “Um apólogo”, entre outros."

Referência:

ASSIS, Machado de. Várias histórias. São Paulo: Martin Claret, 2013.




"Todos os contos", de Clarice Lispector



Sinopse da editora Rocco:

"Dona de uma obra que cruza fronteiras geográficas e de gênero, Clarice Lispector é considerada atualmente uma das mais importantes escritoras do século XX. Nesta coletânea, que reúne pela primeira vez todos os contos da autora num único volume, organizada pelo biógrafo Benjamin Moser, é possível conhecer Clarice por inteiro, desde os primeiros escritos, ainda na adolescência, até as últimas linhas. Essencial para estudantes e pesquisadores, para fãs de Clarice Lispector e iniciantes na obra da escritora, Todos os contos foi lançado nos Estados Unidos em 2015, figurando na lista de livros mais importantes do ano do jornal The New York Times e colecionando importantes prêmios. Agora é a vez de os leitores brasileiros (re)descobrirem por completo esta contista prolífica e singular e seu planeta habitado por bichos, homens e sobretudo mulheres, que se revelam, nas mãos de Clarice, maravilhosos em meio à alegria e ao horror da existência."


Referência:

LISPECTOR, Clarice. Todos os contos. Rio de Janeiro: Rocco, 2016.



"Contos de imaginação e mistério", de Edgar Allan Poe


Sinopse da editora Tordesilhas:

"Em 1919 a editora londrina George G. Harrap & Co. lançou uma antologia de contos de Edgar Allan Poe, que àquela altura já era reconhecido como o pai das histórias de suspense e mistério. A edição, porém, não se limitava a reproduzir as narrativas: luxuosa, ela foi ilustrada pelo irlandês Harry Clarke (1889-1931). É exatamente essa edição que o selo Tordesilhas lança no Brasil, mas com um precioso acréscimo: posfácio de Charles Baudelaire (1821-1867), primeiro tradutor de Poe para o francês e a reconhecer a genialidade do escritor norte-americano."

Referência:

POE, Edgar Allan. Contos de imaginação e mistério. São Paulo: Tordesilhas, 2012.



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Sessão de Biblioterapia: "Fala de mãe e filho" de Mia Couto

27 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários





Fala de mãe e filho


Mia Couto

«Meu filho:
onde vais
que tens do rio o caminhar?»

Não espreites a estrada, mãe,
que eu nasci
onde o tempo se despenhou.

«Meu filho:
onde te posso lembrar
se apenas te dei nome para te embalar ?»

Mãe, minha mãe:
não te pese saudade
que eu voltarei sempre
como quem chega do mar.

«Meu filho:
onde te posso nascer
se meu ventre seco
nunca ninguém gerou?»

Mãe, nascerás sempre
na pedra em que te escuto:
a tua ausência, meu luto,
teu corpo para sempre insepulto.


COUTO, Mia. Tradutor de Chuvas. Lisboa: Editorial Caminho, 2011.


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Sessão de Biblioterapia: "Minha mãe" de Vinicius de Moraes

20 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários





Minha mãe


Vinicius de Moraes

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fronte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.



MORAES, Vinicius de. O Caminho para a Distância. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.


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Sessão de Biblioterapia: "De mãe" de Conceição Evaristo

13 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários





De Mãe


Conceição Evaristo

O cuidado de minha poesia
aprendi foi de mãe,
mulher de pôr reparo nas coisas,
e de assuntar a vida.

A brandura de minha fala
na violência de meus ditos
ganhei de mãe,
mulher prenhe de dizeres,
fecundados na boca do mundo.

Foi de mãe todo o meu tesouro
veio dela todo o meu ganho
mulher sapiência, yabá,
do fogo tirava água
do pranto criava consolo.

Foi de mãe esse meio riso
dado para esconder
alegria inteira
e essa fé desconfiada,
pois, quando se anda descalço
cada dedo olha a estrada.

Foi mãe que me descegou
para os cantos milagreiros da vida
apontando-me o fogo disfarçado
em cinzas e a agulha do
tempo movendo no palheiro.

Foi mãe que me fez sentir
as flores amassadas
debaixo das pedras
os corpos vazios
rente às calçadas
e me ensinou,
insisto, foi ela
a fazer da palavra
artifício
arte e ofício
do meu canto
da minha fala.


EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

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Sessão de Biblioterapia: "Para Sempre" de Carlos Drummond de Andrade

06 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários





Para Sempre


Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Lição de coisas. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.


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Citações e curiosidades - Abr/2020

01 maio Ateliê da Biblioterapia 0 Comentários














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